Modernização urbana em Quarto de Despejo: diário de uma favelada
Palavras-chave:
modernização urbana, favelização, Carolina Maria de Jesus, desigualdade socialResumo
Este artigo analisa a crítica à modernização urbana presente em Quarto de despejo: Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus, relacionando os processos de transformação urbana de São Paulo a partir da década de 1950. A modernização, marcada por intervenções urbanas que privilegiaram o centro e expulsaram populações mais vulneráveis para áreas periféricas, configurou um modelo de desenvolvimento que reforçou desigualdades e a exclusão social. O objetivo da pesquisa é compreender como Carolina revela essas contradições da modernização urbana, por meio dos seus registros diários na favela do Canindé, revelando condições de vida precária, como fome, discriminação e abandono pelo poder público, constituindo assim um contraponto ao desenvolvimento urbano. A partir de uma abordagem qualitativa e de uma leitura cerrada da obra, conforme Durão (2020), o estudo analisa como Carolina critica as contradições da modernidade, expondo a distância entre o discurso do progresso e a realidade das populações marginalizadas. Além disso, o trabalho articula conceitos sociológicos da modernização apontados por Giddens (1991) a aspectos da modernidade pensados por Benjamin (1991). Argumentamos que a narrativa de Carolina funciona como denúncia e crítica social, atravessando o cotidiano das favelas e permitindo compreender como a modernização urbana reforçou a marginalização dos favelados.
