Apontamentos sobre Desafios Filosóficos para uma Articulação dos Saberes Indígenas
Palavras-chave:
Epistemologia, Povos Indígenas, Filosofia, Decolonialidade, epistemology, indigenous people, philosophy, decolonialityResumo
Continuar justificando o eurocentrismo é uma postura que ainda permite o fortalecimento de posições ideológicas conservadoras — aquelas que seguem tratando a América Latina como uma simples extensão da Europa e como a única fonte legítima de produção de pensamento. Mais de cinco séculos desde a invasão e colonização e ainda assim a América Latina continua marcada por uma forma de colonialidade interna, que se manifesta não apenas no plano ideológico, mas também no âmbito político, econômico, epistêmico e ontológico — especialmente em sua fase neoliberal. Diante deste cenário, o objetivo deste artigo é analisar a modernidade e o eurocentrismo a partir da perspectiva da filosofia dos povos indígenas. Para isso, será utilizada a hermenêutica como ferramenta metodológica, com o intuito de confrontar os fundamentos teóricos dessas abordagens e revelar suas limitações. O texto também buscará aprofundar o sentido da “busca sagrada” nos contextos indígenas — compreendida aqui como uma categoria que articula espiritualidade, ética e saber —, ao mesmo tempo em que analisará os processos históricos e simbólicos de apagamento dos conhecimentos ancestrais. Por fim, o artigo apresenta algumas práticas filosóficas próprias dos povos originários, como forma de afirmar suas racionalidades e formas de existência.
Abstract
Continuing to justify Eurocentrism is a stance that still enables the strengthening of conservative ideological positions — those that continue to treat Latin America as a mere extension of Europe and as the only legitimate source of intellectual production. More than five centuries have passed since the invasion and colonization, and yet Latin America remains marked by a form of internal coloniality, which manifests not only on the ideological level but also in political, economic, epistemic, and ontological spheres — especially in its neoliberal phase. In light of this scenario, the aim of this article is to analyze modernity and Eurocentrism from the perspective of Indigenous peoples’ philosophy. To this end, hermeneutics will be used as a methodological tool, with the intention of confronting the theoretical foundations of these approaches and revealing their limitations. The text will also seek to deepen the meaning of the “sacred quest” in Indigenous contexts — understood here as a category that connects spirituality, ethics, and knowledge — while analyzing the historical and symbolic processes of erasing ancestral knowledge. Finally, we will present some philosophical practices specific to Indigenous peoples, as a way of affirming their rationalities and ways of existence.
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Copyright (c) 2025 Carlo Arturo Zarallo Valdés (Autor)

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