Tarkovski: arte cínica, vida estética
Palavras-chave:
Andrei Tarkovski, memória, Michel Foucault, cinismo, aesthetics of existence, memory, cynicism, estética da existênciaResumo
Este ensaio visa, a partir do filme Nostalgia (1983) de Andrey Tarkovski, investigar a diluição da subjetividade e a emergência de uma arte de viver que articula loucura, cinismo e memória na mobilização dos conceitos de estética da existência e vida comoobrade arte desenvolvidos porMichael Foucault em seu último curso A Coragem da Verdade (1983–1984). A estetização da vida torna-se um problema ético quando a formação surge como um processo de práticas que fazem da existência uma obra de arte. Disto, procuramos dimensionar hermeneuticamente em Nostalgia o quanto a memória se dilui em decorrência da nostalgia e como os modos de vida cínica dos personagens e seus duplos aparecem como a transformação negativa, a partir de uma reflexão estética, ética e histórica nas quais os planos teóricos e fílmicos se encontram. Ao cabo, o ensaio defende que as duas linguagens demonstram o limite da vida na arte e o quanto a criação artística se põe em risco, em nome da existência, por ações que representam as crises, limites e instabilidades humanamente possíveis.
Abstract
This essay aims, based on the film Nostalgia (1983) by Andrey Tarkovsky, to investigate the dilution of subjectivity and the emergence of an art of living that articulates madness, cynicism and memory in the mobilization of the concepts of aesthetics of existence and life as a work of art developed by Michael Foucault in his last course The Courage of Truth (1983–1984). The aestheticization of life becomes an ethical problem when formation emerges as a process of practices that make existence a work of art. From this, we seek to hermeneutically measure in Nostalgia how much memory is diluted because of nostalgia and how the cynical ways of life of the characters and their doubles appear as the negative transformation, based on an aesthetic, ethical and historical reflection in which the theoretical and filmic planes meet. Ultimately, the essay argues that both the film and the philosophical text demonstrate the limits of life in art and how artistic creation is put at risk, in the name of existence, by actions that represent the crises, limits and instabilities that are humanly possible.
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