Fanon, Simas e Rufino batem Paó na Encruzilhada: Diálogos sobre a (Re)Construção do Ser Negro

Autores

  • José Simão Correa Siqueira Júnior Universidade do Estado do Amapá Autor
  • Adeilson Lobato IFAP - Instituto Federal do Amapá Autor

Palavras-chave:

emancipação, macumba, colonialismo, desumanização, encruzilhada

Resumo

Este trabalho analisa a formação da subjetividade negra a partir do olhar colonial, conforme descrito por Frantz Fanon (2008; 2022), e sua reconstrução através das encruzilhadas culturais, segundo Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino (2018; 2019). Fanon demonstra como a identidade negra é forjada sob o peso do colonialismo, pelo qual o olhar branco impõe um regime de desumanização e alienação do ser. Simas e Rufino, por sua vez, propõem que essa identidade não é fixa, mas dinâmica, estruturada pela categoria de Arte do Cruzo, composta pelos conceitos de Encruzilhada, espaço simbólico onde diferentes matrizes culturais se encontram e se ressignificam; pelo Encanto, que é potência transformadora, emergida na encruzilhada, desestabiliza hierarquias e dicotomias ocidentais, permitindo possibilidades de ser e saber plurais; e pela Cultura de Síncope: que preenche lacunas com improviso. A pesquisa adota uma abordagem teórico-conceitual, explorando como a crítica de Fanon à subjetividade racializada pode enriquecer a compreensão da proposta de Simas e Rufino sobre a reinvenção da identidade negra no Brasil, mediante análise comparativa e dialógica dos textos fundamentais dos autores, examina-se como os conceitos de Encruzilhada, Encanto e Síncope ressignificam a identidade negra no contexto brasileiro, propondo um diálogo crítico entre a desconstrução fanoniana das estruturas coloniais e as estratégias de reexistência. Os resultados apontam para a necessidade de uma crítica anticolonial que não apenas denuncie os mecanismos de sujeição, mas também valorize as práticas culturais negras como formas de resistência e reconstrução do ser, reconhecendo nelas uma potência ativa na formulação de novos sentidos de ser e estar no mundo, bem como uma nova gramática para a emancipação social do ser negro.

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Publicado

2025-12-28

Edição

Seção

Artigos