Da ontologia do encontro à pedagogia da libertação: o diálogo como fundamento ético-pedagógico no pensamento de Martin Buber e Paulo Freire
Palavras-chave:
diálogo, Martin Buber, Paulo Freire, Filosofia da Educação, alteridadeResumo
Este artigo investiga o diálogo como fundamento ético e pedagógico nas obras de Paulo Freire e Martin Buber, evidenciando pontos de convergência e distinção entre dois pensadores que, embora oriundos de contextos históricos e culturais distintos, compartilham uma visão profundamente humanista da educação. A partir da Pedagogia do oprimido, de Freire, e de Eu e Tu, de Buber, argumenta-se que o diálogo, mais do que uma técnica didática, constitui uma categoria ontológica e ética fundante da existência humana e da relação educativa. Freire concebe o diálogo como prática de libertação, enraizada na amorosidade, na escuta e na problematização crítica da realidade. Ele o propõe como caminho para a superação da opressão, tendo como horizonte o “inédito viável” — a construção coletiva de uma nova realidade social. Buber, por sua vez, compreende o diálogo como encontro genuíno entre sujeitos que se reconhecem na relação Eu-Tu, fundada na reciprocidade, na presença plena e na escuta não objetificante. Sua filosofia relacional atribui ao diálogo uma dimensão existencial e transcendente, que se opõe à reificação do outro. Ao articular essas duas perspectivas, o artigo propõe uma concepção educativa que integra a dimensão crítica da práxis com a ética da alteridade, permitindo repensar os processos formativos em contextos marcados pela desumanização e pela crise nas relações intersubjetivas. O diálogo é aqui compreendido como forma de presença no mundo e condição para a emergência de uma educação humanizadora, comprometida com a dignidade, a justiça social e a construção de comunidades autênticas. Assim, o diálogo emerge não apenas como método pedagógico, mas como modo de ser e princípio ético-político de transformação.
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